O escritor e historiador ijuiense Luis Carlos Ávila, conhecido como Bagé, protocolou e encaminhou na semana passada um documento oficial junto à Prefeitura Municipal de Ijuí – entregue nas mãos do Prefeito Andrei Cossetin – e à Câmara de Vereadores, com sugestões de aprimoramento ao anteprojeto de lei que propõe a criação do Vale-Livro durante a Feira do Livro do município, a ser realizada no final deste ano.
A proposta original, de autoria do vereador César Busnello, prevê a distribuição de vales-livro no valor de R$ 25 para alunos e R$ 30 para professores da Rede Municipal de Ensino, com o objetivo de incentivar a leitura e o acesso a obras literárias. O anteprojeto ainda depende de sanção do Executivo para se tornar lei.
No documento encaminhado ao prefeito Andrei Cossetin e aos parlamentares, Bagé destaca a importância da iniciativa, mas propõe ajustes no texto para garantir a valorização da produção literária local. Segundo ele, a proposta, do jeito como está, corre o risco de beneficiar apenas grandes editoras e livrarias, deixando os autores independentes e ijuienses em desvantagem.
As duas sugestões apresentadas são:
1) Destinação de parte dos recursos exclusivamente para obras de autores locais – que ao menos 60% (ou a discutir) do valor do vale-livro seja utilizado na compra de livros de escritores de Ijuí. Senão, cita como exemplo: o aluno vai usar TODO o valor para comprar livros do “Harry Potter”, e nenhuma das publicações locais, não trazendo nenhum retorno para a promoção e produção cultural de Ijuí, fugindo totalmente da proposta do Projeto original.
2) Permissão para aquisição direta com autores independentes – permitindo que o vale seja aceito também fora das bancas/livrarias tradicionais, presente, desde que o autor esteja inscrito oficialmente na Feira do Livro, e emita recibo com CPF.
Luis Carlos Ávila justifica que, além de incentivar a leitura entre estudantes e professores, a medida deve promover também a literatura regional e o trabalho dos escritores que atuam fora dos grandes circuitos comerciais. “O incentivo à leitura precisa andar lado a lado com o incentivo à produção literária local. Sem isso, estaremos apenas financiando obras que já têm espaço no mercado, enquanto os autores da nossa terra continuam invisíveis”, afirma.
A proposta também visa combater a exclusão de escritores independentes, que frequentemente enfrentam barreiras como a cobrança de comissões elevadas pelas livrarias, o que inviabiliza a comercialização de suas obras.
Ávila conclui reforçando que já conversou pessoalmente com o vereador César Busnello, que confirmou que a decisão final caberá ao Executivo. Ele agora aguarda que o Prefeito, Andrei Cossetin, leve em consideração as sugestões apresentadas antes de enviar o projeto definitivo à Câmara.