Uma nova pesquisa realizada pelo Instituto Methodus revela que a disputa pelo governo do Rio Grande do Sul tende a se concentrar em dois polos: o deputado federal Luciano Zucco (PL) e o ex-deputado Edegar Pretto (PT). O levantamento, focado nas intenções de voto da classe média gaúcha, mostra Zucco com 31,6% das preferências e Pretto na liderança com 38,1%.
A pesquisa foi realizada com 600 entrevistas digitais, aplicadas por meio de plataformas acessadas em smartphones, tablets e computadores. A amostra foi calibrada com base em sexo, idade, escolaridade, renda e região, assegurando a representatividade do eleitorado gaúcho. A margem de erro é de ±4 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Reflexo do cenário político recente
Segundo o diretor do Instituto Methodus, José Carlos Sauer, acontecimentos recentes, como a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, as manifestações de 3 de agosto e a ocupação da mesa diretora do Congresso, fortaleceram Zucco como principal nome do bolsonarismo no estado. Pretto, por sua vez, mantém-se como o representante da esquerda, alinhado diretamente à administração do presidente Lula.
O embate remete à disputa de 2022, quando Pretto ficou de fora do segundo turno por apenas 2.441 votos, atrás de Onyx Lorenzoni (PL). Naquele pleito, Eduardo Leite (PSDB) foi reeleito mais pelas circunstâncias da divisão do campo oposicionista do que por seus méritos administrativos, segundo a análise do instituto.
Juliana Brizola aparece como terceira via
A pesquisa também aponta Juliana Brizola (PDT) com 12,3% das intenções de voto, posicionando-se como alternativa moderada diante da polarização. Seu desempenho eleitoral em Porto Alegre em 2024 e o discurso de proximidade com a população a credenciam como potencial terceira via. No entanto, ainda não está claro se esse capital político será suficiente para consolidá-la como candidatura competitiva ou se atuará apenas como força de dispersão.
Outros nomes e desempenho limitado
O MDB, com Gabriel Souza (7,8%), o PP, com Covatti Filho (5,0%), e o PSDB, com Paula Mascarenhas (1,8%), apresentam desempenho modesto entre os eleitores de classe média. Esse segmento do eleitorado, que representa cerca de 40% do total gaúcho, é apontado pela pesquisa como mais crítico e exigente, avaliando os candidatos com base em preparo técnico, capacidade de gestão e habilidade política.
Eleitorado decisivo
Para o Instituto Methodus, o voto da classe média será decisivo nas eleições de 2026. Esse grupo, formado majoritariamente por pessoas com mais de 35 anos, ensino médio ou superior completos e inserção ativa no mercado de trabalho, tende a priorizar temas como segurança, emprego, educação e desenvolvimento regional. “O eleitor de classe média não se prende apenas à imagem dos candidatos, mas projeta no voto o futuro que deseja para o Estado. É nesse ponto que a eleição gaúcha será definida”, conclui Sauer.
Redação do Grupo Sepé