O delegado regional de Polícia Civil de Ijuí, Ricardo Miron, atribuiu o recente aumento nos registros de ocorrências de violência doméstica no município a um conjunto de fatores, com destaque para o maior número de denúncias por parte das vítimas e o avanço da conscientização sobre a Lei Maria da Penha.
Em entrevista ao Repórter Janio Fernandes, Miron, que também responde pela Delegacia da Mulher em Ijuí, afirmou que os dados policiais indicam que as vítimas estão mais informadas e seguras para buscar ajuda. “Há um esclarecimento maior da importância da Lei Maria da Penha e da necessidade de as vítimas se protegerem. Isso faz com que os registros aumentem”, explicou.
No entanto, segundo o delegado, o crescimento das ocorrências não está relacionado apenas à maior procura das vítimas pela polícia. Ele ressaltou que conflitos familiares, brigas domésticas e, principalmente, o uso de bebidas alcoólicas e drogas têm contribuído diretamente para o agravamento das situações de violência dentro de casa.
Outro ponto destacado por Miron é a reincidência de autores já condenados por crimes de violência doméstica. Conforme ele, há casos em que indivíduos, inclusive monitorados com tornozeleira eletrônica, voltam a cometer delitos como ameaça e lesão corporal. “Isso é um agravante sério e pode resultar na restrição da liberdade do autor”, frisou.
O delegado também esclareceu uma dúvida recorrente da comunidade em relação à formalização das ocorrências. Mesmo que a vítima não queira registrar o fato ou solicitar medidas protetivas, o procedimento policial segue normalmente. “Nos casos de lesão corporal e ameaça, a lei é objetiva. Uma vez que a polícia tem conhecimento do fato, o registro é obrigatório e o inquérito será instaurado, independentemente da vontade da vítima”, afirmou.
Miron citou como exemplo situações em que a Brigada Militar é acionada por vizinhos ou populares. Ainda que a mulher agredida não represente contra o agressor no momento, a comunicação do fato às autoridades gera consequências legais. “Isso não para ali. Posteriormente, com o recebimento das informações, o inquérito policial será instaurado”, concluiu.
A Polícia Civil reforça a importância das denúncias e lembra que a violência doméstica é crime e deve ser comunicada, seja pela própria vítima ou por terceiros, como forma de garantir proteção e interromper o ciclo de agressões.