A comercialização da produção de citros é o principal desafio enfrentado atualmente pelos produtores de Ijuí e região. O alerta foi feito pelo extensionista da Emater, Edewin Bernich, que destacou que a safra de bergamota, especialmente da cultivar pocã, foi elevada neste ano, resultando em sobra de frutas nos pomares e queda nos preços pagos aos agricultores.
Segundo Bernich, a produção regional está concentrada em poucos produtores, que cultivam principalmente as bergamotas das cultivares pocã, de ciclo precoce, e montenegrina, de ciclo tardio. Entre as laranjas, predominam as variedades Valência e Folha Murcha, também consideradas tardias. Outras cultivares, como laranja-do-céu e laranja-de-umbigo, são produzidas em menor escala.
De acordo com o extensionista, a principal dificuldade está na comercialização. Como os produtores possuem áreas reduzidas e não conseguem manter um fornecimento contínuo ao longo do ano, acabam enfrentando a concorrência dos distribuidores da Ceasa, que abastecem os mercados de forma constante e com uma variedade maior de frutas e hortaliças.
“Os mercados mantêm compromisso com esses fornecedores e, muitas vezes, acabam deixando de adquirir a produção local”, explicou Bernich. Neste ano, com a grande oferta de bergamota pocã, o excesso de produção provocou sobra de frutas nas propriedades e reduziu significativamente o valor pago ao produtor.
Para a Emater, a criação de novos canais de comercialização seria uma alternativa para absorver a produção e fortalecer a cadeia da citricultura na região.
Em relação ao clima, Bernich afirmou que, até o momento, o frio e as chuvas não causaram prejuízos significativos aos pomares. Embora as geadas possam provocar danos em cultivares mais sensíveis, como a bergamota comum e a pocã, a intensidade do frio registrada neste inverno não foi suficiente para causar perdas expressivas.
Já as cultivares tardias, como Montenegrina, Valência e Folha Murcha, seguem sem registros de danos. O extensionista ressalta que a preocupação maior com as chuvas ocorrerá nos próximos meses, durante o período de floração, quando o excesso de umidade pode favorecer doenças fúngicas, como a podridão floral, comprometendo a formação dos frutos.
Ouça a manifestação de Edwin Bernich: